quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Festival Esportivo Clube da Endorfina Panfácil
O Clube da Endorfina, com o patrocínio da Panfácil alimentos, estará realizando o último evento do nosso calendário esportivo anual. Na tarde do dia 19 de Dezembro, junto a bela lagoa do Guaíba Country Club, em Eldorado do Sul, ocorrerá o Festival Esportivo Clube da Endorfina Panfácil. Com provas de aquathlon e travessia, a competição encerrará o calendário de provas da Federação Gaúcha de Triatlo. As distâncias da travessia serão de 500m, 1km ou 2km. Já para o aquathlon, prova que reúne natação e corrida, os competidores enfrentarão as seguintes combinações: 300m natação 1,5km de corrida, 500m de natação 3km de corrida ou 1kmde natação 6km de corrida.
Nas categorias de elite, entre travessia e aquathlon, a prova dará R$ 2400,00 em premiação além de muitos brindes, contando também com pontos preciosos para o Campeonato Estadual de Aquathlon.
As inscrições estarão abertas a partir do dia 30/11 , sendo realizadas no Clube da Endorfina/Reebok Parcão, com valores que vão de R$ 20,00 para os iniciantes e as escolinhas até R$ 60,00 para os revezamentos do Aquathlon.
Se você não nada, contate algum nadador para fazer um revezamento e aventure-se nesta festa do esporte.
O Festival Esportivo Clube da Endorfina Panfácil conta com o patrocínio da Panfácil Alimentos e os apoios da Bike Sul, MsDevelop, Copelmi e lojas Win .A Federação Gaúcha de Triatlo estará oficializando e arbitrando o evento de Aquathlon.
Mais informações em breve!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O Triatlo Somos Nós.
Texto publicado na VO2 deste mês, em edição de aniversário. Sou o penúltimo colunista, antes do Mauro Ribeiro, coisa que me honra muito. Para quem não sabe o Mauro Ribeiro foi o único brasileiro a vencer uma etapa do Tour de France...vai lá!
Há muito tempo vi um filme argentino que me marcou: O Clube da Lua. Na época era treinador de natação de uma entidade com poucos recursos. Na película, estrelado pelo ator Ricardo Darin, um treinador de basquete tentava manter viva uma pobre associação esportiva, enquanto uma grande companhia investia na tentativa de tomar o terreno do local para que ali fosse construído um empreendimento comercial. O clímax do enredo se dá quando o protagonista faz um discurso onde a tônica é “Não percebem que quanto menos temos, menos queremos? Temos medo de perder o pouco que temos, almejamos o mínimo e ficamos sem nada”. O discurso é empolgante e emotivo, e carregando esse olhar para o desenvolvimento do nosso esporte, podemos refletir sobre a importância de não nos contentarmos com pouco, pois isso cria uma cultura de miséria, onde o destino é a escassez total.
Fazendo um paralelo com o atual momento do triatlo nacional, venho falar sobre a importância de fazermos reivindicações sérias e organizadas aos nossos dirigentes e organizadores de eventos. E é importante que isso não se confunda com acusações infundadas ou agressões irracionais, que colaboram para o descrédito dos que se manifestam.
Ano passado, após alguns atletas de elite do país terem ficado de fora do Ironman Brasil 2008, escrevi um texto cobrando uma melhor postura da organizadora do evento para com nossos ícones do esporte nacional. Além de uma imediata e educada resposta da Latin Sports, recebi o apoio e o engajamento de muitos outros atletas. Mas para a minha surpresa o contrário também ocorreu. Não foram poucos que me disseram o seguinte: “Lucas, tu estás sendo muito ousado, assim vais acabar te dando mal”. Para estes, minha resposta se baseou no que aprendi com o filme: “Se não tenho qualquer benefício, terei medo de perder o que?” Se nada tínhamos, nem mesmo a possibilidade de se inscrever na prova em um prazo especial, enquanto os estrangeiros tinham sua entrada aceita poucos dias antes do evento, teria medo de uma represália por qual motivo?
Não sou pretensioso a ponto de acreditar que apenas as minha reivindicações, que não tinham apenas um foco, desencadearam as melhorias no 70.3 deste ano, mas acho que o manifesto assinado por este que lhes escreve e outros atletas importantes, foi ouvido pela Latin Sports e a prova deste ano, além de contar com uma organização impecável, teve a possibilidade de inscrição grátis para muitos atletas de elite. É evidente que, como empresário bem sucedido do ramo, Carlos Galvão sabe o peso que a opinião dos atletas de elite tem no prestigio do seu evento. Além de ser uma pessoa cordial no trato com seus clientes, foi inteligente o suficiente para admitir os erros e melhorar a imagem de seu negócio, que é um sucesso cada vez maior a cada ano.
E a nossa confederação? Esse ano a Cbtri organizou um circuito de longa distância. Corri as duas provas e posso dizer que ambas foram impecáveis na sua organização logística, diferente do que aconteceu nos anos anteriores. Mas o calendário mal pensado de provas e o histórico de problemas ocorridos anteriormente tiraram o crédito da Cbtri na organização do campeonato, que ainda teve a data de sua realização modificada com menos de dois meses de antecedência. Mesmo com uma inscrição quatro vezes mais barata e com a chancela da nossa confederação, o circuito teve menos de 100 atletas por etapa, e com a ausência de grandes nomes do triatlo, que não se interessam mais pelas provas da entidade. É triste ver que nós atletas não temos força política para mudar essa situação, preferindo abstermo-nos até mesmo de lutar pelos títulos nacionais, afinal, diferentemente da situação anterior onde uma empresa com fins lucrativos gerencia o evento, somos nós que financiamos essa entidade. Acredito que a tendência deste circuito é o crescimento, mas nós atletas somos coautores do mesmo, e sei que devemos exigir pelo menos uma antecipação do calendário de 2010.
Os atletas brasileiros são muito talentosos e inteligentes, mas parece que nossa noção de coletivo precisa de uma “up grade”. Enquanto os interesses individuais e o medo de se perder o pouco que se tem estiverem acima do bem comum, não veremos nossos melhores atletas defendendo as cores do Brasil em um campeonato mundial de longa distância.
Há muito tempo vi um filme argentino que me marcou: O Clube da Lua. Na época era treinador de natação de uma entidade com poucos recursos. Na película, estrelado pelo ator Ricardo Darin, um treinador de basquete tentava manter viva uma pobre associação esportiva, enquanto uma grande companhia investia na tentativa de tomar o terreno do local para que ali fosse construído um empreendimento comercial. O clímax do enredo se dá quando o protagonista faz um discurso onde a tônica é “Não percebem que quanto menos temos, menos queremos? Temos medo de perder o pouco que temos, almejamos o mínimo e ficamos sem nada”. O discurso é empolgante e emotivo, e carregando esse olhar para o desenvolvimento do nosso esporte, podemos refletir sobre a importância de não nos contentarmos com pouco, pois isso cria uma cultura de miséria, onde o destino é a escassez total.
Fazendo um paralelo com o atual momento do triatlo nacional, venho falar sobre a importância de fazermos reivindicações sérias e organizadas aos nossos dirigentes e organizadores de eventos. E é importante que isso não se confunda com acusações infundadas ou agressões irracionais, que colaboram para o descrédito dos que se manifestam.
Ano passado, após alguns atletas de elite do país terem ficado de fora do Ironman Brasil 2008, escrevi um texto cobrando uma melhor postura da organizadora do evento para com nossos ícones do esporte nacional. Além de uma imediata e educada resposta da Latin Sports, recebi o apoio e o engajamento de muitos outros atletas. Mas para a minha surpresa o contrário também ocorreu. Não foram poucos que me disseram o seguinte: “Lucas, tu estás sendo muito ousado, assim vais acabar te dando mal”. Para estes, minha resposta se baseou no que aprendi com o filme: “Se não tenho qualquer benefício, terei medo de perder o que?” Se nada tínhamos, nem mesmo a possibilidade de se inscrever na prova em um prazo especial, enquanto os estrangeiros tinham sua entrada aceita poucos dias antes do evento, teria medo de uma represália por qual motivo?
Não sou pretensioso a ponto de acreditar que apenas as minha reivindicações, que não tinham apenas um foco, desencadearam as melhorias no 70.3 deste ano, mas acho que o manifesto assinado por este que lhes escreve e outros atletas importantes, foi ouvido pela Latin Sports e a prova deste ano, além de contar com uma organização impecável, teve a possibilidade de inscrição grátis para muitos atletas de elite. É evidente que, como empresário bem sucedido do ramo, Carlos Galvão sabe o peso que a opinião dos atletas de elite tem no prestigio do seu evento. Além de ser uma pessoa cordial no trato com seus clientes, foi inteligente o suficiente para admitir os erros e melhorar a imagem de seu negócio, que é um sucesso cada vez maior a cada ano.
E a nossa confederação? Esse ano a Cbtri organizou um circuito de longa distância. Corri as duas provas e posso dizer que ambas foram impecáveis na sua organização logística, diferente do que aconteceu nos anos anteriores. Mas o calendário mal pensado de provas e o histórico de problemas ocorridos anteriormente tiraram o crédito da Cbtri na organização do campeonato, que ainda teve a data de sua realização modificada com menos de dois meses de antecedência. Mesmo com uma inscrição quatro vezes mais barata e com a chancela da nossa confederação, o circuito teve menos de 100 atletas por etapa, e com a ausência de grandes nomes do triatlo, que não se interessam mais pelas provas da entidade. É triste ver que nós atletas não temos força política para mudar essa situação, preferindo abstermo-nos até mesmo de lutar pelos títulos nacionais, afinal, diferentemente da situação anterior onde uma empresa com fins lucrativos gerencia o evento, somos nós que financiamos essa entidade. Acredito que a tendência deste circuito é o crescimento, mas nós atletas somos coautores do mesmo, e sei que devemos exigir pelo menos uma antecipação do calendário de 2010.
Os atletas brasileiros são muito talentosos e inteligentes, mas parece que nossa noção de coletivo precisa de uma “up grade”. Enquanto os interesses individuais e o medo de se perder o pouco que se tem estiverem acima do bem comum, não veremos nossos melhores atletas defendendo as cores do Brasil em um campeonato mundial de longa distância.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Chrissie e Craig na Cabeça!
A inglesa Chrissie Wellignton e australiano Craig Alexander venceram novamente o mais importante triatlo do planeta: Ironman do Hawai.
Crissie,que sagrou-se campeão pela 3ª vez consecutiva, ainda registrou a melhor marca da prova, fechando os 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida em 8h54min03s. A marca anterior pertencia a inglesa Paula Newby-Fraser,que perpetuava desde 1992. O Fenômeno do triatlo feminino abriu exatos 20min em relação a vice campeão Mirinda Carfrae, da Austrália. Na terceira colocação chegou a espanhola Virginia Berasategui.
Entre os homens Craig teve mais trabalho para chegar novamente ao topo. Ao final dos 180km de ciclismo estava a mais de 12min do então líder Chris Lieto. Correndo uma maratona impressionante em 2h48min, Craig ultrapassou Lieto nos quilômetros finais, vencendo o evento em 8h20min21s. Lieto foi vice com 8h22min56s e na terceira colocação chegou o alemão Andreas Realert, em 8h24min32s.
Entre os profissionais, Reinaldo Colucci foi nosso melhor atleta, marcando 8h53min em sua estreia. Reinaldo conseguiu acompanhar os lideres até o fim da etapa de ciclismo, mas sua maratona em 3h23min só lhe rendeu uma honrada 21ª colocação.Acredito que Colucci tenha potencial para entrar entre os 10 melhores do mundo,nos próximos anos.
Fernanda Keller que com 23 participações é a atleta de elite que mais vezes competiu em Kona, aos 46 anos, chegou na 37ª colocação, entre as 50 melhores atletas da distância do mundo, classificadas em 17 seletivas ao redor do planeta.
O Clube da Endorfina treina atletas para a distância Ironanmam. Em Maio de 2010, nossos guerreiros estarão novamente largando para o desafio, na cidade de Florianópolis.
Crissie,que sagrou-se campeão pela 3ª vez consecutiva, ainda registrou a melhor marca da prova, fechando os 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida em 8h54min03s. A marca anterior pertencia a inglesa Paula Newby-Fraser,que perpetuava desde 1992. O Fenômeno do triatlo feminino abriu exatos 20min em relação a vice campeão Mirinda Carfrae, da Austrália. Na terceira colocação chegou a espanhola Virginia Berasategui.
Entre os homens Craig teve mais trabalho para chegar novamente ao topo. Ao final dos 180km de ciclismo estava a mais de 12min do então líder Chris Lieto. Correndo uma maratona impressionante em 2h48min, Craig ultrapassou Lieto nos quilômetros finais, vencendo o evento em 8h20min21s. Lieto foi vice com 8h22min56s e na terceira colocação chegou o alemão Andreas Realert, em 8h24min32s.
Entre os profissionais, Reinaldo Colucci foi nosso melhor atleta, marcando 8h53min em sua estreia. Reinaldo conseguiu acompanhar os lideres até o fim da etapa de ciclismo, mas sua maratona em 3h23min só lhe rendeu uma honrada 21ª colocação.Acredito que Colucci tenha potencial para entrar entre os 10 melhores do mundo,nos próximos anos.
Fernanda Keller que com 23 participações é a atleta de elite que mais vezes competiu em Kona, aos 46 anos, chegou na 37ª colocação, entre as 50 melhores atletas da distância do mundo, classificadas em 17 seletivas ao redor do planeta.
O Clube da Endorfina treina atletas para a distância Ironanmam. Em Maio de 2010, nossos guerreiros estarão novamente largando para o desafio, na cidade de Florianópolis.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Lá Vem.
Estou apaixonado por um Ser. Não sei seu sexo, não concluí difícil tarefa de decidir seu possível nome. Meu bem estar agora não é medido somente a partir da minha consciência...outra pessoa carrega o pedaço mais importante da minha vida: vou ser pai!
Tem 1,8cm, hoje talvez um pouco mais...quem sabe a aritmética do crescimento dos bebês? Quase dois centímetros de uma vida que preenche o meu pensamento, o meu peito, os meus planos. Ser pai é o ato menos egóico que já vivi.
Me sinto inundado de amor, repleto de vida...nós criamos uma nova vida, Biba!
Biba, minha companheira nessa jornada interminável, se deitou na maca da ecografia e deixou que o aparelho nos mostrasse a coisa mais sensacional da existência, a constante impermanência: a renovação da vida.
Não duvide, camarada, a natureza é forte...
Somos todos, tantas vezes, tão automáticos. A tela do computador, o cambio hidramático, o caixa eletrônico, o email. A vida não! A vida nova, quando se renova, nos mostra o “parar”, nos mostra o quanto um coração batendo a 180bpm dentro de um serzinho que nem braços formou torna tudo mágico.
Ser pai de uma feto ainda não é ser pai de fato, mas já me coloca em sintonia outra vez como natural, com o mais primitivo, com o mais sincero dos amores. Eu amo essa vida que está por vir, mais do que amo a mim mesmo, mais do que amei qualquer outra pessoa, coisa ou divindade.
Sou grato, Biba, por ter tu como mãe do meu filho! E vamos em frente, daqui para diante os textos terão outras inspirações...
Pretto...feliz e com fé!
Tem 1,8cm, hoje talvez um pouco mais...quem sabe a aritmética do crescimento dos bebês? Quase dois centímetros de uma vida que preenche o meu pensamento, o meu peito, os meus planos. Ser pai é o ato menos egóico que já vivi.
Me sinto inundado de amor, repleto de vida...nós criamos uma nova vida, Biba!
Biba, minha companheira nessa jornada interminável, se deitou na maca da ecografia e deixou que o aparelho nos mostrasse a coisa mais sensacional da existência, a constante impermanência: a renovação da vida.
Não duvide, camarada, a natureza é forte...
Somos todos, tantas vezes, tão automáticos. A tela do computador, o cambio hidramático, o caixa eletrônico, o email. A vida não! A vida nova, quando se renova, nos mostra o “parar”, nos mostra o quanto um coração batendo a 180bpm dentro de um serzinho que nem braços formou torna tudo mágico.
Ser pai de uma feto ainda não é ser pai de fato, mas já me coloca em sintonia outra vez como natural, com o mais primitivo, com o mais sincero dos amores. Eu amo essa vida que está por vir, mais do que amo a mim mesmo, mais do que amei qualquer outra pessoa, coisa ou divindade.
Sou grato, Biba, por ter tu como mãe do meu filho! E vamos em frente, daqui para diante os textos terão outras inspirações...
Pretto...feliz e com fé!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ela Estava no Meio de Nós.
Pessoal, este texto já foi escrito há uns 2 meses, mas como agora sou colunista da excelente revista de ciclismo e triatlo VO2, deixei para por o texto aqui depois que saisse a revista. Fico feliz com esse novo espaço, e quem comprar a edição de julho vai ver minha caricatura entre os colunistas de lá, antecedendo a publicação deste
texto.
Mas vai aqui em post tb!
"Não que nunca tenha me acontecido antes, mas a experiência de pedalar quase 180km, em uma competição de alto nível, ao lado de uma mulher provavelmente não marcou só a mim, mas a todo o grupo que andava próximo a Dede Griesbauer, no último Ironman Brasil.
Dede é uma das melhores ciclistas do circuito de longa distância. Neste Ironman, ela não só se manteve junto a um grupo de atletas de peso, como muitas vezes tomou a frente do “pelote”, dando o ritmo da brincadeira. Não foram poucas as vezes em que troquei olhares e até comentários sobre a fortaleza desta americana de 38 anos com meu colega de prova Virgilio de Castilho (prata no Pan de 2003). Poderia parecer óbvio que ela fosse tecnicamente superior a todos nós na pedalada, visto que provavelmente não tinha mais força nas pernas do que os homens. Era exatamente nas subidas dos arredores de Jurerê que a campeã do Ironman Brasil 2009 demonstrava isso. Sempre sentada e com um giro cadenciado, contrastava com a força que nosso grupo fazia para vencer as montanhas, em pé, nas bicicletas contra relógio.
Depois da prova refleti sobre a postura dela no “pelotão”. Me dei conta da inteligência que tinha essa moça. Quando ela percebia que aquele que ia a frente (neste caso sempre respeitando a regra do vácuo, até porque estávamos sempre com um fiscal na cola) diminuía um pouco o ritmo, Dede tomava a dianteira. Cheguei a conclusão de que ela sabia que muitos daqueles homens se incomodariam em andar em um “pelote” liderado por uma mulher. Assim sendo, logo alguém ultrapassava a fera. Somado ao fato de Dede ter um pedal excepcional, tinha ainda um grupo de “machões orgulhosos” para dar o ritmo. Escrevo isso sem a intenção de ridicularizar ninguém, até porque, na maioria das vezes, eu fui um destes orgulhosos cidadãos.
Dede largou a bicicleta junto com outros seis cavaleiros e correu muito bem, completando a prova com um tempo muito próximo ao recorde: 9h10min. Por sinal, só não bateu a marca porque resolveu cumprimentar toda a “torcida do Flamengo” que se acotovelava em volta do tapete. Mas minha reflexão não termina aqui.
Tenho uma teoria interessante sobre a comparação entre os sexos no nosso esporte. Se você pegar o melhor nadador da ITU, talvez com exceção de Andy Poots, provavelmente ele não conseguirá acompanhar a pequena Poliana Okimoto em uma prova de 10km no mar. E será que o campeão do Ironman do Havaí Cris Makcomery é capaz de bater as 2h15min de Paula Redclife na maratona? E qual dos grandes ciclistas do triatlo nacional poderia acompanhar “le Donne” em todas as etapas do Giro di Italia feminino?
Nosso esporte é formado por atletas muito versáteis, mas a necessidade de manter um treino equilibrado em três modalidades faz de qualquer triatleta homem um prato cheio para um bom páreo com uma moça de grande talento em um dos esportes.
É uma lição de humildade. Até onde os estudos científicos chegaram, as mulheres tem menos força que os homens, mas estamos caminhando a passos largos para uma diminuição cada vez mais rápida nas diferenças de performances entre os gêneros no triatlo. É um fato interessante a ser observado o fenômeno Criss Weligton, que em Alpe D´ Huez no ano passado, quase faturou o titulo no geral.
Não se assuste, camarada, não é você que está mal, elas é que estão demais!"
texto.
Mas vai aqui em post tb!
"Não que nunca tenha me acontecido antes, mas a experiência de pedalar quase 180km, em uma competição de alto nível, ao lado de uma mulher provavelmente não marcou só a mim, mas a todo o grupo que andava próximo a Dede Griesbauer, no último Ironman Brasil.
Dede é uma das melhores ciclistas do circuito de longa distância. Neste Ironman, ela não só se manteve junto a um grupo de atletas de peso, como muitas vezes tomou a frente do “pelote”, dando o ritmo da brincadeira. Não foram poucas as vezes em que troquei olhares e até comentários sobre a fortaleza desta americana de 38 anos com meu colega de prova Virgilio de Castilho (prata no Pan de 2003). Poderia parecer óbvio que ela fosse tecnicamente superior a todos nós na pedalada, visto que provavelmente não tinha mais força nas pernas do que os homens. Era exatamente nas subidas dos arredores de Jurerê que a campeã do Ironman Brasil 2009 demonstrava isso. Sempre sentada e com um giro cadenciado, contrastava com a força que nosso grupo fazia para vencer as montanhas, em pé, nas bicicletas contra relógio.
Depois da prova refleti sobre a postura dela no “pelotão”. Me dei conta da inteligência que tinha essa moça. Quando ela percebia que aquele que ia a frente (neste caso sempre respeitando a regra do vácuo, até porque estávamos sempre com um fiscal na cola) diminuía um pouco o ritmo, Dede tomava a dianteira. Cheguei a conclusão de que ela sabia que muitos daqueles homens se incomodariam em andar em um “pelote” liderado por uma mulher. Assim sendo, logo alguém ultrapassava a fera. Somado ao fato de Dede ter um pedal excepcional, tinha ainda um grupo de “machões orgulhosos” para dar o ritmo. Escrevo isso sem a intenção de ridicularizar ninguém, até porque, na maioria das vezes, eu fui um destes orgulhosos cidadãos.
Dede largou a bicicleta junto com outros seis cavaleiros e correu muito bem, completando a prova com um tempo muito próximo ao recorde: 9h10min. Por sinal, só não bateu a marca porque resolveu cumprimentar toda a “torcida do Flamengo” que se acotovelava em volta do tapete. Mas minha reflexão não termina aqui.
Tenho uma teoria interessante sobre a comparação entre os sexos no nosso esporte. Se você pegar o melhor nadador da ITU, talvez com exceção de Andy Poots, provavelmente ele não conseguirá acompanhar a pequena Poliana Okimoto em uma prova de 10km no mar. E será que o campeão do Ironman do Havaí Cris Makcomery é capaz de bater as 2h15min de Paula Redclife na maratona? E qual dos grandes ciclistas do triatlo nacional poderia acompanhar “le Donne” em todas as etapas do Giro di Italia feminino?
Nosso esporte é formado por atletas muito versáteis, mas a necessidade de manter um treino equilibrado em três modalidades faz de qualquer triatleta homem um prato cheio para um bom páreo com uma moça de grande talento em um dos esportes.
É uma lição de humildade. Até onde os estudos científicos chegaram, as mulheres tem menos força que os homens, mas estamos caminhando a passos largos para uma diminuição cada vez mais rápida nas diferenças de performances entre os gêneros no triatlo. É um fato interessante a ser observado o fenômeno Criss Weligton, que em Alpe D´ Huez no ano passado, quase faturou o titulo no geral.
Não se assuste, camarada, não é você que está mal, elas é que estão demais!"
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Entre a Trip e o Tempo, para Bia Yordi!
biayor diz; Que texto tu ta quase terminando?
lucaspretto enviou arquivo "amigos boulder.docx" para os membros deste chat
lucaspretto diz: esse
biayor diz: ta baixando. Uma coisa que sempre queria te perguntar e sempre esquecia
lucaspretto diz: hum...pregunta
biayor diz: como que tu lembrou de ter me conhecido em 4 ilhas?
lucaspretto diz: não sei
lucaspretto diz: não é uma memória clara
biayor diz: se um dia tu lembrar me avisa
lucaspretto diz: acho que é inconsciente
biayor diz: :)
lucaspretto diz: tu concorda, que na verdade, o tempo não existe
lucaspretto diz: então
lucaspretto diz: não existe diferença entre aquele tempo e esse é tudo a mesma coisa
lucaspretto diz: pode ser
lucaspretto diz: que naquele tempo
lucaspretto diz: eu já te conhecesse deste tempo aqui
Era esse o texto...
É do tamanho das nossas memórias o mundo, a vida, o momento presente. E se alguém que pensávamos ter esquecido, porque nunca mais se viu, aparece de novo no caminho, em outra cidade,outro país, outro hemisfério.
Foi assim que reconheci a Bia. Fui convidado para a casa de amigos e vi ela sentada no sofá lendo um livro sobre coelhos americanos para uma criança de olhos arregalados chamada Madalena (adoro esse nome). Lia com amor e gostando tanto do que lia quanto queria que gostasse quem ouvia. Pensei: eu conheço essa mulher.
Daí fomos almoçar e nas conversas descobri que era gaúcha, que estudou no João XXIII nos dourados anos 80 do nosso Instituto. E mais, Bia Yordi, olhos puxados, expressão confiável, como a maioria dos orientais, costumava a passar os janeiros de 90 em Quatro Ilhas. Ela tinha seus 18 e eu meus oito. Era amiga da tia Milene, que adotei por algum tempo como tia minha, pois era praticamente irmão do seu sobrinho Pedro Nerva, meu grande amigo de infância, que me arrastava pelas fazendas e praias do sul.
E assim aos poucos, aqui em Boulder, fui conhecendo a Bia. Me levou para a delegacia para dar parte sobre o roubo que o banana aqui sofreu. Depois, junto a super Ana, formamos um trio em divertidas jantas e sofridos treinos de natação.
Conheci seu marido Jhon, que ela prefere chamar de João, um fotógrafo nota dez e um ser humano nota onze. Fizemos jantas, re-aprendi a ensinar a virada olímpica para ela. Ela voltou a pedalar, incentivada pela presença da Ana Lídia aqui.
Hoje a Bia subiu a montanha de Ward, onde durante uma descida, dois anos atrás, quase perdeu a vida, atropelada por um senhor –motorista-velho-sem-noção. Parece que venceu o medo...fiquei feliz em estar aqui para ver isso acontecer.
No jantar de despedia, onde estávamos só eu, a Ana e a Bia, falamos português à vontade. Vai me dar muita saudade. No fim da janta a Bia me deu uma coisa que eu muito queria, mas que já me lamentava em haver esquecido de comprar: uma camiseta I LOVE BOULDER! Mas o legal mesmo foi o bilhete!
Então é isso. Nas viagens, como essa que se encerra, nos damos conta das sincronias da vida. Obrigado John, Bia, Ana, Lisandra e Catlin, por serem parte das aberrantes, sincrônicos, maravilhosos, doidos, doídos e vividos momentos desta trip!
See you in POA!
lucaspretto enviou arquivo "amigos boulder.docx" para os membros deste chat
lucaspretto diz: esse
biayor diz: ta baixando. Uma coisa que sempre queria te perguntar e sempre esquecia
lucaspretto diz: hum...pregunta
biayor diz: como que tu lembrou de ter me conhecido em 4 ilhas?
lucaspretto diz: não sei
lucaspretto diz: não é uma memória clara
biayor diz: se um dia tu lembrar me avisa
lucaspretto diz: acho que é inconsciente
biayor diz: :)
lucaspretto diz: tu concorda, que na verdade, o tempo não existe
lucaspretto diz: então
lucaspretto diz: não existe diferença entre aquele tempo e esse é tudo a mesma coisa
lucaspretto diz: pode ser
lucaspretto diz: que naquele tempo
lucaspretto diz: eu já te conhecesse deste tempo aqui
Era esse o texto...
É do tamanho das nossas memórias o mundo, a vida, o momento presente. E se alguém que pensávamos ter esquecido, porque nunca mais se viu, aparece de novo no caminho, em outra cidade,outro país, outro hemisfério.
Foi assim que reconheci a Bia. Fui convidado para a casa de amigos e vi ela sentada no sofá lendo um livro sobre coelhos americanos para uma criança de olhos arregalados chamada Madalena (adoro esse nome). Lia com amor e gostando tanto do que lia quanto queria que gostasse quem ouvia. Pensei: eu conheço essa mulher.
Daí fomos almoçar e nas conversas descobri que era gaúcha, que estudou no João XXIII nos dourados anos 80 do nosso Instituto. E mais, Bia Yordi, olhos puxados, expressão confiável, como a maioria dos orientais, costumava a passar os janeiros de 90 em Quatro Ilhas. Ela tinha seus 18 e eu meus oito. Era amiga da tia Milene, que adotei por algum tempo como tia minha, pois era praticamente irmão do seu sobrinho Pedro Nerva, meu grande amigo de infância, que me arrastava pelas fazendas e praias do sul.
E assim aos poucos, aqui em Boulder, fui conhecendo a Bia. Me levou para a delegacia para dar parte sobre o roubo que o banana aqui sofreu. Depois, junto a super Ana, formamos um trio em divertidas jantas e sofridos treinos de natação.
Conheci seu marido Jhon, que ela prefere chamar de João, um fotógrafo nota dez e um ser humano nota onze. Fizemos jantas, re-aprendi a ensinar a virada olímpica para ela. Ela voltou a pedalar, incentivada pela presença da Ana Lídia aqui.
Hoje a Bia subiu a montanha de Ward, onde durante uma descida, dois anos atrás, quase perdeu a vida, atropelada por um senhor –motorista-velho-sem-noção. Parece que venceu o medo...fiquei feliz em estar aqui para ver isso acontecer.
No jantar de despedia, onde estávamos só eu, a Ana e a Bia, falamos português à vontade. Vai me dar muita saudade. No fim da janta a Bia me deu uma coisa que eu muito queria, mas que já me lamentava em haver esquecido de comprar: uma camiseta I LOVE BOULDER! Mas o legal mesmo foi o bilhete!
Então é isso. Nas viagens, como essa que se encerra, nos damos conta das sincronias da vida. Obrigado John, Bia, Ana, Lisandra e Catlin, por serem parte das aberrantes, sincrônicos, maravilhosos, doidos, doídos e vividos momentos desta trip!
See you in POA!
domingo, 2 de agosto de 2009
Correndo Mundo
Acabei de chegar a uma cidade que não sei o nome. O mais interessante destas viagens onde competimos para cima e para baixo é a quantidade de lugares que conhecemos. Eu sempre gosto de ver as grandes metrópoles, hoje, por exemplo, contornamos Chicago,com seus arranha céus multicoloridos e seu transito infernal. Mas o que mais me preenche são as pequenas cidades e suas possibilidades. A vida em outra velocidade.
Correr costuma a ser a primeira coisa que o corpo pede quando oriundo de um vôo. Seja ele de uma ou diversas horas. E é nessa primeira corridinha, na nova cidade que me acomodará por poucos dias, que minha alma se alegra em respirar um novo ar. Cada vez que a estrada faz uma curva, surge uma nova paisagem, uma nova pessoa, uma casa que aloja uma família, com toda a sua história, cheia de raízes...e eu quem sou? Um viajante. Um estrangeiro. O maluco que não conhece o parque mais próximo e investe suas passadas pela única estrada que conhece, geralmente a mesma a qual agora habita, evitando se perder em cruzamentos desconhecidos.
E quanto eu corro?Preciso decidir. Já é tarde. Nem sei qual o fuso daqui. Hoje, correndo, vi uma trilha que entrava para uma floresta. Parecia a trilha por onde se perderam João e Maria. Pensei que, se tivesse algum pão, deixaria no chão para marcar a volta. A gente pensa caaaada bobagem correndo, né? Acho que outra coisa boa de correr é isso: pensar bobagem à vontade. Corri quarenta e cinco novos, impessoais, nunca antes traçados: minutos
A trilha era escura e foi me dando a sensação de ser índio. Muito lindas as arvores aqui de...como é mesmo o nome da cidade, Ana Lídia? A Ana sabe tudo, não só sabe tudo como sabe tudo sobre o que vai dentro do tudo. “O nome é Berrien Springs, que significa fonte das cerejas”. Essa minha companheira de viagem é nota dez! Além de ser uma enciclopédia ambulante, fez belo macarrão de jantar. As cerejas e framboesas que o casal do “bed and Breakfest” onde estamos cultivam, foram a sobremesa.
Berrien Springs, deve ter uns 5mil habitantes. Dois deles nos alugaram uma cabana muito boa e com um cômodo preço, de onde agora escrevo. Aqui parece que a sensação de presença é mais forte. Quanto mais desconectado, mais desarmado, menos concorrido, mais silencioso é, melhor se sente o momento presente.
Domingo competiremos o 70.3 de Steel Head, que ainda não sei o que significa porque a Ana já foi dormir e não perguntei. Em breve volto a correr pelos gélidos parques do meu Porto Alegre. Onde conheço cada árvore, onde muitas vezes me perco em pensamentos, mas raramente nos cruzamentos.
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